Mostrando postagens com marcador divagação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador divagação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Como uma densa nuvem púrpura, o amor tomou conta de mim. Fiquei desde então vasta como a noite da madrugada, cheia de devaneios, fresca como o vento noturno, eu não sou eu quando o amor está em mim.
Ele fica em mim, todo esfumaçado, distribuído pelos meus poros, dentro de mim e ocupando toda a poesia ao meu redor. Tornando-me poesia do em redor. Cada palavra agora é suspiro, delicados carinhos para limitar atrozes e reviravoltantes sentimentos humanos.
O amor tornou-me inteira, por completo, não sei onde ele começa e eu termino. Ele termina? Somos uma esfera, um planeta, o amor tornou-me um universo. Sinto-me. Sinto-o. Sinto o amado. Ah, o amado... este transformou-se em mim e eu nele, tão belo e necessário choque. Nascimento de outro. Somos um. Três, um. Conflitantes, apaixonados, loucos, desprovidos de sentidos, carregando a essência da vida.

Desespero

Sinto-me em um escuro gelado, cercada de zumbis, robôs, pessoas automáticas. Até a sensibilidade (quando existe) é automática, forçada, guardada, escondida. Sinto o frio espalhando-se lentamente pela quentura, pela fervura de minhas veias, fazendo o magma tornar-se pedra.
Choro, choro por sentir-me tão única e só conseguir me encontrar em mim. O nó na garganta sempre me enforca, mas o peso no meu peito diminui bruscamente em um abraço.
O mundo é doce e violento demais para mim. Eu sou lenta e sensível, sinto a velhice envolver meu coração. Mas sinto paciência, condolência, nada, nada, nada e nada. Mas sinto.

Amargura.

Os meus lábios são amargos. De todas as lágrimas desorientadas, do café sem açúcar nem mel da madrugada insone, do escuro teto do quarto inebriado de lembranças oníricas. Minhas lembranças todas perdidas.
A amargura dos segundos seguintes ao fim de um abraço tão à flor da pele de saudade de uma pessoa que deixou de existir. O sabor da solitude exacerbada de um corpo desconecto da alma e da consciência. Sentimentos vivenciados na imaginação. Desespero! Pensar que eu sou tão pouco. Mas tão em mim. (Implosão).
Mas as pessoas são tão muitas. Quero uma ou duas, no máximo três para desejar confundir minha alma tão cinza e desbotada. Para sorrir os poucos sorrisos que restam, para compartilhar o interior de vez em quando.
Meus lábios estão amargos.